por José Carlos
o cantor já trocou experiências com Gilberto Gil, Alceu Valença, Toquinho,
Geraldo Azevedo, Morais Moreira, Paulinho da Viola e Chico César.
Uma vivência por varias cidades do Brasil, além de França,
Alemanha, Espanha, Marrocos e EUA
Sueldo foi dos primeiros músicos a ganhar fama em Natal na década de 1980. À época, só Pedro Mendes, Babal, Expedito, bandas bailes também famosas e artistas em início de carreira circulavam por bares ainda presentes no imaginário natalense daquela década: Bar do Buraco, Boca da Noite… “Minha primeira canja foi no Boca da Noite, ali na subida da Cidade Alta. Era um palco disputado e Pedrinho tocava lá no dia”, lembra Sueldo. O contato com o autor de Linda baby e Esquina do Continente foi típico de uma província de muros baixos. “Na rua da casa do meu tio uma turma se reunia pra conversar e tinha um que tocava violão. Era Pedrinho. Nos conhecemos ali, depois nos cruzamos pela Universidade e ele me chamou para tocar num festival universitário. Começou aí”.
A relação de Sueldo e a música tem início ainda no ventre da mãe, pianista. “Escutava os timbres já ali”. Na antiga ETFRN (hoje IFRN), participou por três anos do coral da Escola, só de vozes masculinas. “Foi importante para apurar minha técnica vocal”. Depois veio o encontro com Pedro Mendes na UFRN. Sueldo, no curso de Engenharia Química, e Pedro cursando Fisioterapia. “Depois desse show no festival universitário nós dois montamos um show juntos, chamado Tinta Viva. Inclusive estamos organizando um revival desse show para breve, comemorando os 30 anos daquela data”, adianta o músico. E depois daquela data, Sueldo deslanchou e ganhou o mundo: Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Marrocos, festivais variados.
Sueldo aproveitou a boa fase da música natalense na década de 1980, depois morou 12 anos no Rio de Janeiro, excursionou pelo mundo em viagens esporádicas e voltou a Natal há oito anos. Nesse período lançou três CDs: Tulipa Negra (1995), Em Primeira Mão (2007) e Trilhas (2010). Todos compostos por canções de sua autoria. Nenhum prestigiado em Natal. Sueldo não escapou do estigma de uma cidade fincada na esquina do continente acostumada a valorizar o que vem de fora. “Participei de festival de música independente no Ceará. Alguém deve ter gostado e simplesmente três músicas minhas do CD Trilhas tocam em três rádios distintas de Fortaleza. Imagino que algum paraibano tenha ouvido e uma canção do mesmo CD toca em João Pessoa. Aqui, nenhuma”.
…PELOS CANTOS DA CIDADE
Não é o caso do novo álbum, do novo show, que mesclará velhos sucessos e as canções inéditas, acompanhadas pela banda formada por Ismael Miranda (contrabaixo), Ricardo Baia (guitarra) e Darlan Marley (bateria). Hoje Sueldo produz música por prazer. Tem outro emprego que lhe permite maior liberdade de criação e menos dependência do cenário local. Natal permanece seu porto seguro. “Sempre viajo, exponho minha música fora, mas sempre volto para recarregar as baterias. Nunca tive esse desejo de ser reconhecido. Se uma ou um milhão de pessoas escutarem minha música, tanto fez. Importante é que alguém se emocione e eu possa me emocionar também. Aqui é o meu lugar, cara”.





