PASTOR PAGOU PISTOLEIRO COM DINHEIRO DA IGREJA

por Ailton Medeiros

 

Os três mil reais dados ao criminoso que matou o jornalista potiguar F. Gomes, em outubro de 2010, foram provenientes da Igreja Batista Regular.

O pagamento foi feito pelo pastor Gilson Neudo Soares Amaral. É o que revela a delegada Sheila Freitas, da Divisão Especializada em Investigações e Combate ao Crime Organizado (Deicor).

O jornalista, segundo a delegada, foi assassinado a mando de pessoas que formaram um “consórcio” para financiar o crime.

Além do pastor, integravam o “consórcio” o advogado Rivaldo Dantas de Farias, o tenente-coronel PM Marcos Antônio de Jesus Moreira, o comerciante Lailson Lopes e o soldado PM Evandro Medeiros.

De acordo com Sheila, o plano inicial do grupo era promover um assassinato por envenenamento em massa  entre os funcionários da rádio Caicó AM, onde F. Gomes trabalhava.

Segue reportagem da “Tribuna do Norte”:

O radialista Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes, foi assassinado a mando de pessoas que formaram um “consórcio” para financiar o crime. Para a delegada Sheila Freitas, da Divisão Especializada em Investigações e Combate ao Crime Organizado (Deicor), esse “consórcio” seria responsável por angariar R$ 10 mil e repassar a João Francisco dos Santos, o Dão, autor confesso do assassinato.

Essa versão foi apresentada pela delegada Sheila Freitas ontem, em entrevista coletiva concedida em Caicó. De acordo com a delegada, o “consórcio” é formado pelo advogado Rivaldo Dantas de Farias, pelo tenente-coronel PM Marcos Antônio de Jesus Moreira, pelo pastor evangélico Gilson Neudo Soares do Amaral e pelo comerciante Lailson Lopes, o Gordo da Rodoviária.

Além desses, ainda de acordo com a delegada, o soldado PM Evandro Medeiros também tem envolvimento com o assassinato de F. Gomes. Todos estão presos.

“F. Gomes foi assassinado única e exclusivamente por causa do trabalho dele. Essa foi a motivação do crime. O F. Gomes, como todos sabem, sempre foi muito duro quando noticiava crimes que lesavam a sociedade.

Por isso, pessoas que cometiam alguns delitos não gostavam do radialista. E foram justamente algumas dessas pessoas que se reuniram, arrecadaram o dinheiro e planejaram o crime e contrataram o Dão”, falou Sheila Freitas.

Cada um dos presos, em algum momento, foi alvo de críticas de F. Gomes em programas de rádio que ele conduzia em Caicó. “Não podemos dizer que há algum cabeça nesse grupo, mas o principal articulador foi o advogado Rivaldo Dantas. Foi ele quem conversou com os demais e quem contratou o Dão para executar F. Gomes. Essa, inclusive, foi a parte mais fácil, uma vez que é sabido por todos aqui em Caicó que Rivaldo é advogado de Dão em outros processos e que Dão tem Rivaldo como um segundo pai”.

Do dinheiro combinado para pagar o crime – R$ 10 mil – Dão só teria recebido R$ 3 mil. “Esses R$ 3 mil foram dados pelo pastor Gilson Neudo antes do crime e tinham por finalidade custear a fuga de Dão após o cometimento do assassinato”, essa fuga acabou não se concretizando e Dão foi detido por policiais militares poucas horas após o crime.

Os outros R$ 7 mil para pagar a morte de F. Gomes seriam dados, ainda de acordo com Sheila Freitas, pelo tenente-coronel Moreira. “Para dar esse dinheiro, o oficial inclusive vendeu um triciclo aqui em Caicó por cerca de R$ 20 mil. Os R$ 7 mil seriam dados a Rivaldo [advogado de Dão] em sete cheques de R$ 1 mil. Desses sete, apenas cinco foram dados e alguns deles não tinham fundos, o que gerou uma discussão entre eles”.

A delegada lamentou apenas não ter encontrado a arma usada para matar F. Gomes. “No dia após o crime, já preso, Dão disse à polícia que tinha atirado o revólver calibre 38 no açude Itans. Bombeiros procuraram a arma no local, mas não a encontraram. Recentemente, o Lailson Lopes deu uma nova versão, dizendo que o revólver teria sido entregue ao soldado Evandro. De qualquer forma, ainda não o encontramos. Mas isso não prejudica a elucidação do crime”.

Sheila Freitas disse que não vai indiciar Dão e Lailson, até mesmo porque eles já receberam a sentença de pronúncia e devem ir a júri popular ainda este ano. Rivaldo Dantas, Marcos Moreira e Gilson Neudo serão indiciados por homicídio, uma vez que são os autores intelectuais do assassinato. O soldado Evandro, que seria responsável por esconder a arma após o crime, também será indiciado.

Para continuar lendo, clique aqui.

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