via José Carlos em Potiguarte
DENICE MARIA
Apresenta-se em locais como supermercados e festas pessoais
e é um raro exemplo ao conseguir tirar desse trabalho seu sustento
Jéssica Barros
Especial para O Poti/Diário de Natal
Ao que se sabe, trabalhar com cultura no estado exige muita dedicação. São inúmeras as dificuldades e poucos os incentivos. Mas, para os que realmente apostam no futuro, musical perseverança é a palavra de ordem. É o caso da jovem e talentosa cantora potiguar Denice Maria, um exemplo de artista que correu atrás do seu sonho desde cedo e que está sempre em busca de novas experiências. Com apenas três anos se apresentando profissionalmente na cena musical independente do RN,Denice consegue viver da música e lançou recentemente seu CD, intitulado Baú, com 12 canções de sua autoria.
Na correria do dia a dia, muitas vezes o público sequer nota a presença do artista no local, mas Denice diz que isso não a desmotiva. “Sempre tem alguém que para, elogia, diz que pensava que era um CD tocando. Principalmente as crianças prestam mais atenção e chegam até a dar ‘tchauzinhos’, que eu retribuo [risos]. A troca de energias com o público é o que me motiva a seguir em frente”, diz ela.
O advogado Eduardo Costa, cliente da rede de supermercados em que Denice se apresenta, diz que tem o hábito de fazer suas compras no local ao som da cantora, elogia o repertório e confessa que, apesar de sempre parar para ver as apresentações de Denice enquanto toma seu “cafézinho”, nunca teve a iniciativa de perguntar sobre quem era a cantora. “Eu apenas sento e aprecio a música”, confessa.
QUANDOS OS FINS DE SEMANA SÃO DE MUITO TRABALHO
Atualmente, com um repertório voltado para a MPB, Abmael lançará ainda este mês seu primeiro CD, com interpretações de grandes sucessos da MPB tradicional, ao mesmo tempo em que estuda Design Gráfico e procura um emprego fixo, já que, para ele, viver da música ainda não é uma realidade.
É no fim de semana que a rotina de intensifica. De quinta-feira a domingo, muitos bares e restaurantes da capital – apesar dasrecentes proibições a algumas casas que se encontram em bairros residenciais – contam com música ao vivo. E é nesse período que a demanda por artistas, nem sempre conhecidos pelo público, aumenta. De acordo com Denise Maria, o volume de shows cresce em períodos de alta estação de turistas, como no começo, meio e final do ano. “Nos outros meses depende muito dos contatos do artista para manter uma boa frequência de apresentações”, explica. Já Abmael diz que, independentemente se o bar é famoso ou um “boteco”, qualquer experiência é válida. “O mais importante é não ficar parado”.
Apesar de a cena rock ser limitada no estado, André diz que esse cenário vem mudando aos poucos com a chegada de alguns bares específicos para o público mais alternativo, como é o caso do Hell’s Pub e do Whiskritório, que abrem espaço para as bandas mostrarem seu trabalho interpretando grandes clássicos do rock.
Nesse estilo é ainda mais dificil pensar em viver apenas da música. Perto de lançar CD demo com quatro músicas inéditas, entre as dificuldades que as bandas de rock enfrentam, o guitarrista da Fullsion reclama do escasso espaço para divulgação de trabalho autoral, além da má remuneração. André lembra que, antigamente, era raro receber cachê. “As bandas tocavam de graça e muitas vezes tinham que vender uma quantidade ‘xis’ de ingressos e prestar contas para tocar. Atualmente, as coisas vêm mudando, mas as dificuldades persistem”, conta.
Desistir de ter a música como profissão pode até ser uma opção a seguir, mas essa hipótese não parece passar na cabeça desses artistas. A cantora e compositora Denice Maria diz que o segredo é não desistir. Estar sempre atualizando o repertório, não cair da mesmice e investir em si mesmo comprando bons equipamentos de som e estudando música são fatores essenciais para qualquer artista. Cantando também em corais, a cantora acredita que conhecer outros estilos musicais, como música erudita, só tem a acrescentar ao artista. “Conheço coisas novas e me preparo melhor, uma coisa complementa a outra”, diz Denice.
Abmael também nem pensa em abrir mão da música. Apesar de procurar um emprego fixo para ter mais estabilidade, quer continuar investindo na carreira e, posteriormente, pretende explorar seu lado compositor, cantando sempre aos finais de semana em barzinhos da cidade e fazendo eventos particulares que, segundo ele, são os que dão maior retorno financeiro ao artista. Abmael diz não esquecer de sua primeira apresentação, quando ele tremia e até esqueceu parte da letra da música, “mas é exatamente a sensação que cada apresentação passa que o motivo a seguir em frente”, conclui.
jessicabarros.rn@dabr.com.br






Muito boa a matéria Jéssica Barros. Obrigado pela oportunidade de divulgar meu trabalho. Att, Abmael.